
Essa casa é um pouco estranha. Sei disso.
Já começa que ela não está no TikTok ou em outras redes sociais rápidas. No Instagram, você até encontra uma portinha, mas eu não gosto muito de ficar lá, não.
Não é por falta de entender como a internet funciona. Eu entendo. Gosto dela, inclusive. Aprendi muita coisa por aqui, conheci pessoas, encontrei livros, cursos, referências, ideias e uma parte do meu trabalho e das minhas ferramentas também nasceu na internet.
O problema é que, em algum momento, a gente deixou de entrar e sair da internet e passou a morar nela.
A internet virou trabalho, descanso, estudo, distração, relacionamento, notícia, política, compra, venda, comparação, entretenimento e, se bobear, até lugar para descobrir que deveríamos estar descansando melhor.
E tem uma coisa bastante incômoda nisso: as empresas descobriram que a nossa atenção vale dinheiro. Muito dinheiro. Então existe uma indústria inteira trabalhando para que a gente continue olhando para uma tela por mais alguns minutos. Depois mais alguns. E mais alguns.
Eu, particularmente, estou cansada de tudo isso.
Sabe do que eu gosto mais ainda do que entrar na internet?
Sair dela.
É por isso que esta casa existe na internet, mas foi pensada para que você não precise passar tanto tempo aqui. Eu quero que você leia, pense, descubra alguma coisa, talvez fique um pouco intrigada(o) e depois continue vivendo a sua vida, talvez agora com uma Bruxa de Confiança ao seu lado.
Este Manifesto não é só nostalgia e também não é uma declaração de guerra contra a tecnologia. É mais que isso.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escreveu bastante sobre o excesso, o desempenho, a transparência, a informação e a maneira como a vida contemporânea foi sendo atravessada pela lógica da produtividade e da exposição.
Nunca tivemos tanto acesso à informação. E isso é maravilhoso. Mas, veja bem:
✔️ Saber tudo sobre ansiedade não significa necessariamente conseguir olhar para a própria ansiedade.
✔️ Assistir a cinquenta vídeos sobre relacionamentos não impede ninguém de repetir os mesmos padrões.
✔️ Saber o nome de um conceito espiritual também não significa ter uma experiência espiritual.
Explicar a vida não é a mesma coisa que viver a vida. E informação, por mais importante que seja, não é a mesma coisa que experiência.
E assim nasceu a minha Bruxaria Analógica. Não como uma rejeição do mundo digital ou da tecnologia em si, mas como uma escolha de estar online e ainda assim:
Desacelerar. Prestar atenção. Fazer perguntas antes de procurar respostas prontas. Recuperar o gosto pelas coisas que não precisam ser rápidas, otimizadas, compartilhadas ou transformadas em conteúdo.
Agora que eu recuperei o meu fio, talvez eu possa te ajudar a recuperar o seu também…
Eu venho falando bastante sobre os fios. Sobre os nós, as meadas e os caminhos.
E talvez você já tenha percebido que eles estão por toda parte nesta casa…